Você sabe o que é feminismo?

Por Luciane dos Santos, Professora de Literatura Brasileira e Pesquisadora da Escrita Literária Feminina

Ao contrário do que muitos acreditam, ou do que se divulga nas redes sociais, o feminismo não está relacionado a desrespeitar a igreja, menosprezar o sexo masculino, ser contra a instituição da família ou muito menos deixar de depilar as axilas. O feminismo, nada mais é do que um movimento político e social que busca conquistar direitos iguais entre homens e mulheres.
A educação escolar trouxe para as mulheres um olhar mais crítico e politizado, sobretudo, para as primeiras ideias feministas vindas da Europa e dos Estados Unidos. Assim, as primeiras manifestações feministas, no Brasil, ocorreram durante o século XIX, baseadas em reivindicações como acesso à educação, melhoria profissional e direito ao voto.
Vocês sabiam, que a escrita entre as mulheres brasileiras só começou a conquistar seu espaço a partir dos movimentos feministas e suas fases? Essas ocorreram no Brasil com espelhos nos movimentos europeus. A mulher tomou consciência da opressão, exploração e dominação sofridas, o que as moveu em busca de transformações sociais que fossem necessárias por fim das desigualdades de gênero.
Partindo desse principio, o feminismo é articulado como uma filosofia política e um movimento social. Foram quatro as chamadas ondas feministas que marcaram época. No Brasil, por exemplo, a primeira onda se refere ao direito á educação, como aprender a ler, escrever e ter noções básicas de aritmética.
Nísia Floresta foi a mais importante brasileira a lutar pelos direitos da mulher durante esta primeira onda, ocorrida durante parte do século XIX. Nascida no Rio Grande do Norte, filha da brasileira Antônia Clara Freire com o advogado e escultor português Dionísio Gonçalves. Casou-se cedo, aos treze anos, mas deixou o marido um ano mais tarde, o que a fez ser repudiada pelo pai. Em 1928, o pai morre assassinado, por isso precisou sustentar a mãe e três irmãos.
Mais tarde, em 1932, casou-se com o advogado e acadêmico Augusto de Faria Rocha com quem teve um casal de filhos. Também no ano de 1932, escreveu seu primeiro livro, Direito das Mulheres e injustiça dos homens, volume que proclamava o direito à educação e ao trabalho feminino e determinava que as mulheres fossem mais respeitadas.
Em 1838, ficou viúva e se mudou para o Rio de Janeiro, onde fundou o Colégio Augusto. Passou a escrever para jornais sobre assuntos relacionados ao Abolicionismo e à República. Jornalista, educadora e mulher que lutou por melhores direitos femininos.
A segunda onda, iniciada por volta do final do século XIX, tinha como principais objetivos o de ampliar o direito à educação e o direito ao sufrágio, ou seja, o voto. Também foi neste período que surge um espantoso número de revistas e jornais de feição feminista em muitas cidades do país. Tais meios de comunicação foram muito importantes, pois serviram de instrumentos na conscientização junto às mulheres, já que divulgavam o que acontecia em outros países.
A terceira onda ocorreu já em meados do século XX com a intenção de construir melhor a cidadania, em um lugar em que a mulher tivesse os mesmos direitos que os homens. As mulheres, além de buscarem o direito a melhorias na educação em cursos superiores, clamavam por trabalhar nas indústrias, repartições públicas, no comércio, com os mesmos direitos masculinos.
Por fim, a quarta onda, aconteceu em meados dos anos setenta. Enquanto em outros países as mulheres se organizavam contra a discriminação e lutavam pelos direitos de igualdade, aqui no Brasil, as marcas dessa quarta onda foram distintas. Direitos à sexualidade e posicionamentos relacionados à ditadura militar, foram algumas das lutas presentes.
No entanto, apesar de inúmeras conquistas, nos mais variados campos do conhecimento e questões sociais, a cultura patriarcal ainda é persistente. Não precisamos ir muito longe para verificar isso, afinal ainda persistem desigualdades salariais, violência verbal, moral e física que continua sendo praticada com a naturalidade de que se deve colocar a mulher em seu lugar. Mas o lugar da mulher é, na verdade, onde ela quiser, não é mesmo?

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O grafite feminista de Panmela Castro

Foto: Moda Intelligente


 

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Luciane dos Santos

(Professora de Literatura Brasileira e Pesquisadora da Escrita Literária Feminina)

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